A utilização de drones confere agilidade e escalabilidade na integração de dados de inventário florestal e sensoriamento remoto. O FlorestaSC usa drones com sensores multiespectral e LiDAR para complementar os dados de campo e viabilizar análises mais abrangentes e precisas da estrutura da vegetação.
Os voos com drone são realizados sobre as Unidades Amostrais (UAs) do FlorestaSC, onde também são executadas as atividades de Inventário Florestal. Entre junho e dezembro de 2024, foram realizados voos sobre 40 UAs, sendo 20 situadas na Floresta Ombrófila Mista (FOM) e 20 na Floresta Ombrófila Densa (FOD). As UAs da FOM estão concentradas na região do Planalto Norte e as da FOD entre o Litoral Norte e a Grande Florianópolis.
Os voos foram feitos por um drone DJI Matrice 350 RTK, acompanhado dos equipamentos a seguir:
uma câmera multiespectral: produz ortomosaicos de imagens com resolução espacial média de 4 cm em cinco bandas (RGB, borda do vermelho e infravermelho próximo);
um sensor LiDAR (laser): produz uma nuvem densa de pontos 3D (três dimensões) com discretização de cinco retornos;
um receptor GNSS diferencial RTK: corrige a trajetória de voo em tempo real, com uma acurácia posicional de até 10 cm;
um receptor GNSS diferencial SatLab FR-20: coleta acuradamente as coordenadas do início e fim de cada subunidade que compõe uma UA.
Antes de realizar a coleta de dados em campo são feitos, para cada UA, dois planos de voo do drone, um para cada sensor (LiDAR e Multiespectral). No plano de voo, são configurados parâmetros como velocidade de deslocamento e altura de voo. A qualidade dos dados depende desses parâmetros, além dos ajustados em tempo real pelos equipamentos durante o voo, como o ISO, que determina a claridade da foto, e o Shutter, que evita borrões devido à movimentação do drone.
Drone para aquisição de imagens nas UAs do FlorestaSC
Ao localizar a UA em campo, duas atividades são realizadas: voos com drone e coleta das coordenadas iniciais e finais de cada subunidade da UA. A coleta de dados é realizada em condições de tempo favoráveis - sem chuva e neblina.
Antes de realizar o voo com drone, é feita a montagem do receptor RTK, em local aberto. O voo do drone é então executado, ao mesmo tempo que a trajetória do voo é corrigida em tempo real pelo receptor RTK. O voo é monitorado através do controle remoto do drone.
Dois voos por UA são realizados:
(A) com um sensor multiespectral, para registrar múltiplas imagens aéreas;
(B) com um sensor LiDAR (laser), para obter nuvens de pontos 3D por meio de emissão de feixes de luz.
Linha de voo (multiespectral). Cada drone indica a posição onde é obtida uma imagem. Linhas cinzas representam a área do terreno abrangida por cada imagem.
O sensor LiDAR emite feixes de luz que, ao incidirem sobre um objeto (ex.: folha, galho, tronco ou solo da floresta), registra um sinal de retorno de cada objeto.
Após o voo, adentra-se no remanescente florestal onde a UA está situada, para coletar as coordenadas do início e fim de cada subunidade da UA (20 x 50 metros; veja a configuração da Unidade Amostral). O início e o fim da subunidade são materializados com hastes metálicas enterradas durante o inventário florestal, as quais são encontradas com a ajuda de um detector de metais. A aquisição das coordenadas depende de dois receptores. Utiliza-se o receptor RTK (“base”), que é instalado fora da floresta para rastrear sinais de satélites e transmitir correções para o outro receptor (rover), que é utilizado dentro da floresta. O rover é acoplado a um bastão telescópico de 8 m para alcançar uma maior altura, permitindo amplificar e melhorar a comunicação com os satélites.
Localização da haste metálica implantada no inventário florestal (no início e fim de cada subunidade da UA), para coleta de coordenadas com GPS de precisão.
Equipe de operação do drone
Montagem do RTK e drone, em campo
Instalação do receptor (rover) dentro da floresta, acoplado a um bastão de 8 m
Monitoramento do voo do drone pelo controle remoto
As etapas da operação são relacionadas a seguir e demonstradas também no fluxograma abaixo.
1° etapa: planejamento de voo, que compreende a análise e seleção de UAs a serem sobrevoadas, as configurações de voo no aplicativo e a logística de campo;
2° etapa: coleta de dados através de sobrevoos com drone, utilizando sensor LiDAR e câmera multiespectral;
3º etapa: pré-processamento, que consiste no tratamento dos dados coletados em softwares específicos de cada equipamento (LiDAR: Dji Terra; multiespectral: Agisoft Metashape);
4º etapa: os produtos obtidos no pré-processamento são processados no software estatístico R para cálculo e seleção de métricas preditoras de atributos florestais;
Por fim, as métricas selecionadas são utilizadas como variáveis preditoras em modelos de predição de atributos florestais.
A partir das imagens do drone pode-se extrair várias informações sobre as características da floresta. Abaixo são apresentados alguns produtos obtidos pelo FlorestaSC através do uso dos drones:
Perfil de uma floresta obtido com sensor LiDAR. A nuvem de pontos permite avaliar o dossel da floresta e a altura de árvores individuais.
Fotografia aérea do drone, a qual serve de matéria-prima para a identificação de espécies arbores-centes através de inteligência artificial.
Ortofoto para extração de métricas preditoras de atributos florestais (ex.: NDVI e NDRE).
Produto da aplicação de algoritmos de aprendizado de máquina para classificação de pontos em solo, sub-bosque, troncos, galhos e folhas.
Modelo Digital de Superfície (na imagem) e Modelo Digital do Terreno.
Modelo de Altura do Dossel.
FINANCIAMENTO: